quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Céu dos bichos




Desde que eu comprei meu cachorro novo, o Padang uma das minhas gatas mudou completamente.
Ciúmes pensei, afinal se fosse comigo eu sentiria a mesma coisa.
Tenho três gatos, todos vindos de rua, todos chegaram muito pequenos do tamanho de ratos e todos quase morreram logo no inicio com reação as vacinas.
Esses gatos de rua têm pouca imunidade
Lembro de voltar ao veterinário com cada um deles e de como fui torcendo e rezando para que eles conseguissem chegar ate lá. Chegavam e voltavam para casa bem
Cada um dos meus gatos tinha uma característica, o preto atende pelo nome e é super caçador, já chegou com bichos mortos de “presente” me fazendo gritar tanto de pânico que o segurança do condomínio teve que vir aqui.
A branca nem parece que veio da rua, toda peluda não me da a menor bola, só gosta da Julia e tem mania de dormir dentro de uma bandeja de palha que tenho aqui, é a gata da Julia.
E a amarelinha...
A amarelinha era chamada de mau caráter (no melhor sentido da palavra) era brincalhona, mordia, dava botes quando estávamos dormindo, entrava de baixo do edredom para morder o nosso pé e mesmo sendo a gata da Mariah, dormia comigo todas as noites.
Extra-oficialmente era minha gata predileta apesar de eu ter um carinho especial pelo preto já que foi um dos que achei que não conseguiria chegar à veterinária vivo quando teve a tal reação a vacina.
Meus bichos todos têm crise de identidade meus gatos comem comida de cachorro, o Chico um dos meus cachorros brinca só com brinquedos de gato, sobe nos móveis como se fosse um gato e os gatos nos acompanham como se fossem cachorros.
À noite antes de dormir eu apagava as luzes aqui de baixo e lá vinha o Chico e a Mau Caráter junto comigo para o quarto.
Não gosto de rotinas, mas gosto de hábitos e estava habituada a coisas que sempre funcionavam da mesma forma e eu gostava disso, talvez fosse a forma de eu achar que tudo estava sob controle, perfeito e seguro.
Muito natural para quem viveu uma vida com tantos altos e baixos
Há alguns dias a Mau Caráter começou a ficar muito magra e não queria comer nada, olha que tentei ate atum, mas nada, ela não comia, nem mordia mais.
Mandei a Mau Caráter para o meu veterinário (meu não, dos bichos aqui de casa), como ele é marido da Claudia confio cegamente e sei que ele faz sempre o que tem que ser feito sem me enrolar.
Tenho tanta confiança que uma vez a Julia brincando dentro do condômino pulou do carro andando e se ralou toda, foi para o veterinário, já que ele estava lá em casa tratando dos cachorros e eu em algum lugar da Índia ou Europa não me lembro bem.
Isso deu muita confusão na escola dela, fui chamada pela psicóloga que queria saber por que eu tratava a criança no veterinário.
Imagina se ela ia entender as coisas que acontecem aqui em casa rs
Mau caráter ficou mais de nove dias na clinica e na terça feira voltou para casa, ainda mais magra, apesar de ter ficado todos esses dias no soro e ainda sem brincar nem comer.
Assim que chegou, deu uma olhada geral na casa, tentou comer atum, mas não se animou e depois sumiu.
Achei que tudo bem, depois de tantos dias fora, ela devia ter ido só dar umas voltas. Ela sempre fazia isso e sempre voltava
Ontem à noite quando voltei para casa procurei por ela, mas ela não estava.
Hoje acordei com a Mariah chorando, a Mau Caráter tinha voltado para casa.
Estava deitada na varanda durinha com os olhos abertos.
Fiquei sentada chorando e olhando. Lembrando das coisas que ela fazia e quanta alegria um bichinho nos traz e quanta alegria ele leva quando vai embora
Acho que é assim na vida e também com as pessoas que nos relacionamos e isso me fez reafirmar o que venho falando como um mantra nos últimos tempos.
A vida é curta, nunca é bastante tempo para estarmos perto das pessoas que amamos, para dizer coisas boas, para se fazer o melhor.
A vida é uma viagem muito curta e o único objetivo dela já que sabemos o destino final (mesmo que façamos de conta que não) é ser feliz todo o dia.
Não devíamos deixar escapar um segundo com coisas pequenas, com rancores ou ressentimentos.
A vida não é para fazer planos, muito menos para esperar o momento certo para buscar a felicidade, o momento é sempre agora.
A vida é para ser vivida todos os dias da melhor forma possível e para fazer coisas que façam nossos olhos brilharem,
Todos dizem que pessoas que não gostam de bichos e crianças não são pessoas boas.
Ok eu não gosto de crianças, mas gosto mais do que tudo de bichos, então isso faz de mim uma pessoa 50% boa.
Algumas pessoas podem detestar esse texto, afinal bichos são bichos.
Para essas pessoas sugiro que procurem outro Blog
Por que lembrar de cada alegria que tenho com eles, de como me fazem feliz, de quantas vezes preferia os bichos às pessoas, do amor puro e incondicional que eles nos dão.Isso faz com que eles se tornem parte da família, da família que eu escolhi.
Lembrar dela vai me fazer chorar hoje o dia todo, às vezes dar um sorriso lembrando de alguma coisa que ela fazia.
Ela está enterrada aqui no condomínio, bem perto de casa de alguma forma ela continua por perto.
Minha mãe foi cremada e as cinzas jogadas no Jardim Botânico e é tão ruim não ter uma referencia quando a saudade aperta, então achei que seria bom ela por aqui.
Hoje o dia esta lindo e o céu azul, mas para mim, hoje o céu esta amarelinho.


Ps Aposto que a Mau Caráter vai estar agora dando o bote no pé de algum santo responsável pelo céu dos bichos e isso me faz sorri outra vez

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

2010 de coração branco


Natal e Ano Novo estão aí e junto com eles um monte de sentimentos misturados fora o trânsito e o inferno nas ruas claro.
Já falei aqui que não gosto dessas datas, procuro ao máximo não me “contaminar” com essa euforia desenfreada que corre solta, mas com tantas luzes piscando, enfeites e programas de fim de ano fica difícil.
Inevitável não repensar algumas coisas, não fazer um balanço do ano e até criar algumas metas.
Mas podem ter certeza de que ninguém vai me ver pulando sete ondas, jogando flores no mar (que só fazem deixar a praia imunda) ou fantasiada de branco rs.
Lembro de quando minha mãe e minha avó eram vivas, o Natal tinha todo sentido, as festas eram lindas e acredito que isso é porque Natal é justamente estar com as pessoas que amamos.
Hoje tirando Maria Julia e Mariah, isso não é mais assim.
O Natal virou uma festa chata, muito mais cheia de obrigações sociais do que de amor.
Minha mãe morreu no dia 28 de dezembro e como se não me bastassem essas duas datas “inesquecíveis” ainda têm uma data no meio disso que faz com que a saudade que sinto todos os dias fique ainda maior
Ano Novo é a mesma história todo mundo parece ficar tomando por um surto coletivo de que a meia noite um milagre vai acontecer e vícios serão substituídos por virtudes, tristeza por alegria e caos por paz.
Todas essas coisas estão nas nossas mãos e podem ser colocadas em pratica a qualquer momento, agora, por exemplo, pode ser uma ótima hora para ligar para alguém com quem não falamos há muito tempo, mas que sentimos saudade e dizer um oi.
Agora pode ser o momento para jogar o maço de cigarros fora ou para ser menos exigente com as pessoas ou com nós mesmos.
Todos os anos juro que no final vai ser diferente, que vou estar em um lugar sem toda essa confusão, vou estar de havaianas com alguém ao lado de que realmente gosto muito.Mas como todas as promessas de fim de ano, nunca consigo cumprir.

Esse ano não foi fácil, talvez um dos piores dos últimos tempos.
Logo no início me meti em uma relação que não me fez nada bem, ao contrario, me desgastou.
Depois meu ex-marido resolveu ficar grávido de trigêmeos.
Isso, ele não resolveu ter um filho, teve três em uma só tacada, claro isso foi um processo de adaptação para as meninas e tudo que afeta a elas...Afeta a mim.
Também foi o ano em que uma pessoa que amo descobriu que estava com câncer e foi assustador
Uma mistura de medo, raiva, mas que depois deram lugar à esperança.
Voltar ao INCA onde vi minha mãe morrer, onde tivemos nossa última conversa me fez reviver sentimentos que achei que eu já tivesse superado.
Algumas coisas não superamos nunca
Senti muitas coisas em silêncio, chorei sozinha e tentei sempre acreditar que no fim tudo ia dar certo.
Esta dando
Não fui para Bali esse ano e senti tanta falta...
Maria Julia entrou na adolescência e achei que não saberia o que fazer quando me deparei com alguns problemas, mas fiz e acho que tenho acertado.
Dei minha primeira surra na Mariah acho que selando de vez minha maternidade com ela (só não vou falar que doeu mais em mim do que nela pq se ela ler isso vai ficar uma fera rs), mas foi um momento...Duro.
Senti a dor de ver minhas palavras distorcidas por uma revista idiota, mas o troco foi dado.
Em uma breve retrospectiva de 2009 percebi algumas coisas
Perdi um cachorro
Ganhei um amigo
Aprendi que não mudamos os outros e que não adianta insistir por mais tentador que possa parecer
Mudei alguns valores
Comprei outro cachorro rs
Continuo sem conseguir engolir comprimido
Experimentei novas situações e arrisquei
Esqueci de parar de fazer tanto drama, mas me lembrei de ser grata.
Terminei um namoro
Lembrei de como é bom ficar sozinha em casa
Meu humor me abandonou poucas vezes e isso é maravilhoso
Fui ver meu avô mais vezes do que nos outros anos
Fui ao circo (odeio circo)
Chorei vendo filmes e ouvindo músicas
Nossa chorei muito esse ano!
Voltei a rezar antes de dormir
Voltei a acreditar que ainda existem algumas pessoas que valem a pena e que merecem apoio sempre.
Descobri que não adianta esperar de algumas pessoas o que elas não tem, não podem ou não querem dar.
Superei meu medo de altura
Fiz coisas de que me arrependo, mas aprendi a lição.

Não preciso esperar até 2010 a vida é nesse momento, é agora que tenho que fazer o meu melhor.
Hoje escolhi ser feliz
Dei mergulhos longos que me levaram para perto de Deus outra vez
Agradeci tantas vezes por ter tempo de fazer novas escolhas
Limpei minha vida de algumas pessoas e deixei outras entrarem
Quero gente do bem, quero pessoas que se possa contar, quero troca.
Não quero só tirar nem só dar
Agora é hora de perder o que não me faz bem
Ganhar novas alegrias
Aprender outros caminhos.
Quem sabe uma nova língua?
Mudar o rumo das coisas
Beijar, mas só se for beijo apaixonado.
Esquecer quem me deixou triste
Esquecer o que não tem remédio
Lembrar da sorte que tenho em estar viva depois de tanta coisa
Experimentar novos sabores
Terminar tudo que comecei mesmo que eu não saiba como rs
Amar olhando nos olhos
Chorar todas as vezes que tiver vontade, sem vergonha.
Mas que as lágrimas sejam mais de alegrias dessa vez
Ir e vir
Voltar sempre que tiver vontade
Pedir desculpas quando estiver errada
Não deixar de fazer por medo de errar
Falar mais vezes obrigada
Dizer eu te amo só quando for com o coração
Andar de mãos dadas
Dar limites claros e lembrar que eu sou a única pessoa capaz de permitir que meu dia seja ruim.
Superar!
Acho que é isso que devemos fazer todos os dias, todos os anos 2010, 2011,2022 ect...
Eu desejo a todos que a vida seja leve todos os dias, que branco seja a cor da alma,do coração e não só da roupa.
Mas que seja o ano todo branco de paz.


Ps Ok eu confesso que a única coisa que amo no fim do ano é o show do Roberto Carlos

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Alimentação balanceada,no estômago e na alma



Poucas vezes na vida fiquei doente, já tive uns piripaques, mas nunca uma doença.
Levando em consideração a vida que tive, isso é praticamente um milagre.
Minha alimentação pode ser classificada como a pior possível, não tenho horários regulares,como todo tipo de junk food, como chocolate compulsivamente e batata frita ah batata frita essa então nem se fala rsrs.
Essa semana sei lá por que almocei uma salada e um suco, no fim do dia tomei outro suco (tomo suco o dia todo quando estou em casa),
Um dia normal, tirando o cardápio claro.
Em casa bisbilhotando a vida das pessoas no Orkut começo a sentir um formigamento no lábio
Opa será que foi a alface?
O formigamento vai ficando maior...
Podia ser o peito de peru ou o aipo.
Resolvi que era melhor ir ao hospital
Tenho meu hospital predileto, onde já sabem todos meus problemas, tenho quarto da Xuxa com bichos pintados na parede e o comprimido já vem esmagado pq sabem que não consigo engolir.
Mas como estava assustada fui para o hospital que tem aqui perto de casa que detesto, mesmo assim fui.
Um bando de estagiarias que andam de um lado para o outro nitidamente sem saber o que estão fazendo
A medica pouco mais velha que a Mariah me perguntava:
Usa drogas?
Usei
Qual tipo?
Tipo todas
Teve algum problema com elas?
Fiquei muda, ou podia mandar a moça para algum lugar feio e ela me mandar para a psiquiatria.
Fora overdose algum problema sério?
Ok acho melhor ir embora.
Aposto que na faculdade ninguém ensina para essas moças que pessoas são pessoas e cada uma tem uma característica
Pessoas não são doenças.
Depois de 30 gotas de rivotril (uma piada para mim), me senti um pouco melhor e fui para meu “hospital de escolha” ser tratada por gente grande rs.
No caminho até o hospital ia fazendo uma lista de feira tentando achar onde podia estar o problema
Cenoura
Beterraba
Passas
Agrião
Vaca nunca fica doente e sempre come essas coisas.
Era irritante e ridículo responder todas as vezes que me perguntavam o que eu tinha feito de diferente no dia.
Salada comi salada...
Fiquei a noite toda lá e no outro dia eu tinha três diagnósticos diferentes
Fiquei com o que mais me agradou, que tinha sido o dado pelo meu cardiologista que além de ser o mais fácil de resolver também me pareceu o mais apropriado.
Nada que um dia deitada e uma bela massagem não fossem resolver
Ana Karina sei como você é (muita gente acha que sabe, mas não quis tirar a alegria dele), você está com uma crise de ansiedade.
Eu sou a ansiedade Einstein, e nunca tive problemas em ser, nem saio por ai dormente por isso, mas enfim...
Alguém me disse hoje que aparentemente não sou uma pessoa com problemas na vida. Não sou mesmo, pelo menos não dos grandes e que preocupa a maior parte das pessoas.
Não tenho um marido enchendo meu saco com o quanto gasto ou me fazendo lembrar de como fazemos escolhas erradas na vida
Tenho ex-marido e isso é bem diferente rs
Não tenho grandes preocupações financeiras, mas às vezes me preocupo com a situação de pessoas que gosto.
Minhas filhas dão muito menos problema do que a média
Faço coisas que gosto e procuro fazer o menos possível as que não gosto.
Uma vida quase perfeita.
É isso, é o quase...
Nunca gostei do quase, nunca gostei do que não fosse total, mesmo quando era para fazer coisas erradas, eu fazia totalmente errado, fazia inteira.
Sempre inteira para o bem ou não
E tenho visto algumas áreas da minha vida onde não tenho podido estar inteira, onde não tenho podido dar meu melhor ou meu pior.
Limitações.
Os únicos limites que gosto são os que eu crio fora isso prefiro não ter.
Vou ficar por hora sem saber se a culpa foi da salada ou das coisas que não andam como eu quero
Mas cada dia tenho mais certeza de que assim como escolho o que quero colocar para dentro do meu estômago, também posso fazer isso na minha vida.
A escolha é minha se quero colocar problemas ou soluções, relações de prazer ou relações que me deixem frustrada, posso escolher ter pouco e posso escolher ter tudo, posso escolher o lado bom ou me lamentar pelo que não é tão bom, posso aceitar que cada um da o que tem e posso achar que não é o bastante seguindo assim outro caminho enfim...
Todos os dias tenho as escolhas
Não posso me dar ao luxo de ficar doente, não tenho quem cuide de mim além claro de ter “defeitos” colaterais de medicações.
Não posso perder um dia, um segundo da minha vida deitada na cama se não for por escolha.
Tenho o mundo para ver,um monte de coisas que quero fazer, amores para serem vividos, erros e acertos, tenho muitos dias de sol para torrar em alguma praia linda e escondida ou mesmo aqui no Pepê, livros que ainda não lí, músicas que não cantei e ainda tenho muitas escolhas para fazer.


Ps Hoje escolhi comer chocolate o dia todo no momento verde nessa casa só meus olhos rs

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

De malas prontas.


Tive um terapeuta que dizia que eu vivia com malas prontas, como se estivesse o tempo todo de partida.
Ele estava certo.
É assim que me sinto, não sei se pela dificuldade de criar vínculos ou se pela busca por alguma coisa que não sei o que é, mas certamente nunca esta no mesmo lugar que eu rs.
Podia passar a vida viajando, quando se esta na “estrada” não paramos, se não paramos não fazemos contato, se não fazemos contato, não nos envolvemos e se não nos envolvemos...Não sofremos.
Será que é isso, quase como uma condenação?
Envolvimento tem sempre que estar ligado a sofrimento?
Quanto será que perco por evitar arriscar?
Claro que relações tem seus lados legais e divertidos ou a humanidade toda seria inteiramente sádica, já que vive em uma busca frenética por pares (mesmo os que dizem o contrário).
Já tive namorados de todos os tipos, todos os tipos mesmo.
Cenógrafos, dentista, advogado, vagabundo, surfista, engenheiro, mais vagabundo, atleta, intelectual, empresário, gays, machões, rico, pobre e por ai vai.
Todos tinham inúmeras qualidades e vários defeitos também claro
Adoraria poder escolher o “ponto forte” de cada um e juntar em um só
Mas com a sorte que ando provavelmente ia criar alguma coisa bem parecida com o Frankenstein e depois ia dar um trabalhão me livrar dele rs
A outra escolha é ficar sozinha, relações superficiais, casuais, mas também sem o coração batendo.
Não gosto dessa alternativa, já falei aqui uma vez que sou inteiramente passional e que se o coração não disparar, não vou me mover.
Então é isso, sou movida pela paixão?
Acho que sim, seja pelas coisas que gosto de fazer, por pessoas, bichos (principalmente os bichos esses sempre fazem meu coração bater forte) por lugares, tudo em mim tem que ter paixão.
Bom pelo visto tenho um problema e uma incompatibilidade de desejos
Não quero amarras, mas também não quero o vazio.
Não quero mesmice, mas também não quero viver aos sustos.
Quero segurança sem rotina
Quero ser livre para cultivar meus defeitos e também para concertar alguns, mas por escolha minha.
Não pelo som da voz de outra pessoa, tentando me transformar no objeto perfeito dos seus sonhos.
Não sou feliz todos os dias, sou quase sempre.
Não tenho resposta para tudo nem acerto sempre (Acho que sim, mas sei que não).
Não sou a melhor mãe do mundo, mas tento ser o melhor que consigo.
Sou dura com as palavras em vários momentos e não gosto de ser assim, mas sou.
Tenho TPM
Acho sempre que estou fora do peso
Acordo com um humor horrível, mas acordo linda todos os dias rs.
Às vezes dou risadas de coisas trágicas às vezes faço tragédias do cotidiano
É isso, sou só uma mulher normal como todas as outras, se é que nós mulheres podemos ser chamadas de seres normais rs.
Uma mulher normal em busca da felicidade, a felicidade plena.
Recuso-me a acreditar que se alguém é bem sucedido financeiramente, não pode ter sucesso no amor.
Se tiver beleza não pode ter inteligência
Já cheguei a achar que se eu fosse feia, gorda e meio burra teria menos expectativas ou seria menos exigente.
Mentira
E uma mentira cruel só para os acomodados
Eu quero tudo, todo mundo quer tudo.
E nada que não seja completo cheio de todas as coisas que acredito e sei que mereço vai ser o bastante
Sou uma pessoa cheia de questões, às vezes angustiada por um imediatismo que quase me leva a loucura (quando não me leva, leva quem esta por perto rs).
Realmente não deve ser fácil viver do meu lado, mas com certeza ninguém pode reclamar de monotonia rs.
Há muito tempo não me sinto com as malas tão prontas quanto ultimamente
Uma vontade de respirar novos ares, ir a novos lugares, sentir vento fresco ouvir outras musicas, não ter celular e não ter nada mais para fazer a não ser viver a felicidade.
Acho que é só uma vontade enorme de ir.
Como não me falta criatividade, já já penso em alguma coisa algum motivo ou lugar e quando menos esperar, estou eu solta por ai.
Eu estou pronta, sempre com a mala pronta.


Ps Não preciso lembrar que a mala claro é Burberry

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Nem tudo acaba em pizza


Processo nº:




Quem me conhece sabe que nunca fui de levar desaforo para casa
E não seria diferente com a palhaçada e falta de respeito feita pelo repórter da revista Isto E
Tive um terapeuta que dizia: Ana Karina com razão é um perigo.
Pois é...
No dia seguinte procurei um advogado
Fiquei muda, a pedido dele, mas finalmente agora posso falar.
Como não sou burra e aprendo sempre alguma coisa.Aprendi com essa historia também.
Não sou aspirante à famosa, ao contrario adoro ser mais uma na multidão, podendo assim fazer o que quiser o que me der vontade sem grandes preocupações.
O livro esta nas prateleiras, sei que ajudou muita gente e espero que possa ajudar ou alertar a muitas mais.
O que eu tinha de fazer já foi feito
Algumas pessoas me ligaram “oferecendo” o direito de resposta
Não obrigada
Continuo com a minha vida normal, cuidando das minhas filhas, fazendo as coisas que gosto, planejando minha próxima ida a Bali e vivendo em paz.

Ai vai a decisão do juiz e isso é só o inicio
2009.001.323444-0
Tipo do Movimento:

Conclusão ao Juiz
Decisão:

Cumpra a Serventia o art. 187 da Consolidação Normativa da CGJ. Considerando que existe prova inequívoca, consistente nos documentos anexados pela autora, e que a alegação é verossímil, e que há fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação, e com base no artigo 273 do Código de Processo Civil, e no artigo 1º da Lei Estadual nº 4.083, de 10 de março de 2003, defiro a antecipação de tutela requerida, e determino que a ré conceda à autora direito de resposta proporcional ao agravo (art. 5º inciso V da Constituição Federal), com o mesmo número de páginas, linhas e fotos, na edição imediatamente posterior à data da entrega pela autora à ré da resposta formulada pela autora, sob pena de multa de R$ ..... por edição que deixar de conter a resposta da autora. Cite-se e intimem-se.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Defeito colateral.


Meu cardiologista me passou ontem medicações novas.
Para quem leu o livro ou me conhece, sabe que tenho efeito colateral até de melhoral infantil.
Acordei péssima
Depois de um almoço que desceu quadrado, talvez engasgado com o choro preso que da um nó na garganta.
Fui pegar meu cartão de crédito que eu tinha deixado com a Mariah, quem sabe assim eu podia comprar alguma coisa que fizesse eu me sentir melhor. Mas vi a inutilidade dele, já que o que o que eu precisava não se vende em lojas e hoje me pareceu tão distante, tão irreal.
Já era final de tarde e fui sentar na praia para ver o mar, sempre me sinto melhor olhando para ele.
Fiquei alguns momentos ali, olhava o mar e esperava conseguir respostas que fizessem tudo ter algum sentido.
Claro tenho alguns “amigos” que eu podia ter ligado e tentar desabafar, mas por algum motivo isso nunca funciona.
Quando olho para as outras pessoas as palavras se perdem, os problemas ou mesmo as coisas bobas que me atormentam às vezes parecem besteiras e acabo não conseguindo falar.
É incrível os estragos que podem ser feitos na infância e depois levamos para o resto da vida
Não importa se foram feitos por nossos pais, pela forma como fomos criados ou por nós mesmos, eles estão presentes em cada atitude imprópria ou na forma como lidamos com o que não é bom de sentir.
Somos seres sozinhos e isso devia estar claro, mas nunca fica.
Cada pessoa um universo, cabeças e corações atormentados, cheios de perguntas, anseios e dúvidas.
Alguma coisa nos liga, mas estar ligados não significa sermos um só.
Sou apaixonada pela vida e por todas as possibilidades que ela oferece dia a dia.
Meu estado natural é feliz, otimista e não sei nem gosto de me sentir de outra forma, acho até que não mereço nada além do que não seja felicidade pura e simples.
Já tive minha cota de dor.
Percebi sentada na praia como as pessoas lidam de forma estranha com a dor.(Legal pelo menos não sou só eu rs)
Um grupo de surfistas sentados não muito distante olhavam até perceberem que eu estava chorando. Outras pessoas que passavam também se constrangiam.
Onde é que foi parar a espontaneidade?
A que nos faz falar o que sentimos, pensamos e queremos sem vergonha?
A mesma que nos faz pedir ao invés de querer que as outras pessoas adivinhem nossos desejos ou sejam nossos salvadores?
Ser por ser, sentir por sentir só por que é real...
Fiquei olhando uma gaivota que andava pela areia perto da água, tão sem jeito quanto eu sentada de vestido ali.
A diferença é que ela sabia o que estava fazendo.
Eu às vezes não sei.
Então depois de mais algum tempo sem respostas e nada melhor fiz o que fiz a vida toda.
Levantei e andei pela areia de volta para o carro com passos de quem sabe onde quer chegar.


Ps 1 Tudo bem talvez seja só DEFEITO colateral do remédio e isso também vai passar.


Ps 2 Quem disse que coração não dói?

sábado, 14 de novembro de 2009

TPM ou inferno astral fora de hora?


Essa semana já prometia, depois dessa maldita matéria em pleno domingo.
Claro que não seria uma semana fácil, mas como sou otimista...
Já tinham três dias que a bomba aqui de casa tinha explodido (a outra bomba a da água)
Coisa de casa, sempre uma coisa resolve dar defeito quando você está dando defeito também.
Tudo bem.
Sai de casa, não liguei a bomba, mas liguei o foda-se.
Nessa sexta, acordei resolvida que já estava de bom tamanho.
Gritei o Ronaaaaaaaaaldo que gritou o homem da obra ao lado, que me disse quanto eu teria que gastar para concertar a bomba e eu... Gritei.
Gritei, mas paguei não ia ficar sem água quente e me parece que tem algumas pessoas que não dão a menor bola para os meus gritos. Tipo esses que vem concertar alguma coisa.
Continuam me olhando com cara de paisagem e no fim acabo fazendo o que tem de ser feito ou o que eles me dizem que tem de ser feito
Bom, bomba resolvida fui dar uma volta no shopping, ia almoçar com a Mariah que também resolveu dar defeito (felizmente mais barato que a bomba) e fomos comer minha batata frita predileta lotada de cheddar.
Mariah parou de dar defeito, mas aí foi a vez da batata.
Um cheddar amarelo.
Sou comedora compulsiva dessa batata, como quase todos os dias e sei a cor do queijo.
Provei, afinal podia ser só a interferência do inicio da semana ou meu dia.
Não era.
Chamei a gerente que gentilmente me explicou que o fornecedor não tinha chegado e blá blá bla.
Jurou que não ia ficar assim para sempre.
Tudo bem...
A bomba a batata, mas ainda tinha o dia pela frente.
Resolvi ir ao salão (odeio salão) eu devia saber que não era uma boa idéia.
Resolvi fazer uma massagem, afinal tudo que ando passando vai direto para meu trapézio.
Adivinhem?
O óleo da massagista tinha acabado
Tudo bem...
Respirei fundo, eu queria muito a massagem e pedi para o Ronaaaaaldo pegar em casa.Tenho vários que trouxe de Bali, sorte a minha.
Fiquei fumando cigarro “S” no calor de 150 graus, claro do lado de fora do salão enquanto esperava.
Tive momentos ótimos durante a espera e o cigarro, mas isso não vem ao caso.
Chegado o tal óleo fui para a sala, tirei a roupa e deitei na maca.
Ops
Não era maca de massagem e sim de depilação, ou seja, não tinha como ficar com o pescoço reto.
Tentei relevar afinal era um salão e não um SPA. Alem disso a moça tinha cara de que sabia o que ia fazer.
Sabia mesmo
Por 45 minutos tive momentos mágicos, olhos fechados o perfume me levou a Bali.
Claro se não fosse o podólogo e sua cliente tagarela na sala ao lado teria sido perfeito
Completamente besuntada de óleo fui lavar a cabeça e já que estava no inferno (já disse odeio salão) fui fazer a unha também
Não gosto de fazer a unha, então para não demorar não tiro cutiluca.
Pronto por que fui falar isso para a manicure?
Mas tem que tirar
Não tenho
Mas não vai ficar bom
Vai sim
Má vontade instalada, enquanto tirava o antigo esmalte quase quebrava minha unha.
Na hora em que dei a segunda mão para ela...
Um grito histérico.
Fiquei parada olhando e esperando ela acabar o grito agudo para depois perguntar o motivo
O motivo?
A cobra.
Tenho um anel de cobra que amo, ela pelo visto não gostou.
Me pediu para virar o anel para o outro lado e eu pedi para ela não fazer mais minha unha.
Fui para casa com uma mão feita e a outra não
Depois disso tudo tive alguns outros problemas alguns com e-mail outros com telefonemas no meio da noite
265 gotas de rivotril deveriam ser o bastante para fazerem apagar o dia e me apagar também.
Como não sou boba nem nada, hoje não coloquei o pé na rua, fiquei por aqui inventando coisas para trocar de lugar.
Mesmo assim não foi um dia fácil, mas prefiro não falar sobre isso.
Deitada no sofá da varanda enquanto escrevia esse texto ao som de Chaplin no piano, consegui finalmente rir.

Mais uma vez fui otimista e fui buscar o lado bom das coisas
A bomba (da água pelo menos) está resolvida
O cheddar não vai ficar assim para sempre (a gerente jurou)
Deve ser bom para a unha ficar uns dias sem esmalte (alguém me disse isso)
A cobra, era de brilhante.
Bom para terminar graças a Deus tenho bom gosto musical, afinal eu podia estar ouvindo Funk em vez de Chaplin no piano o que tornaria esse texto bastante diferente.




Ps Algumas outras coisas não se resolveram, mas lí que o rio encontra o mar.
Ou não...