
Hoje acordei e fui ler a matéria da revista Isto E
Impossível não chorar e não ter ficado indignada com o que li.
Mentiras, distorções e claro sensacionalismo.
Eu já devia estar acostumada a isso, mas não estou.
E acho que nunca vou me conformar com esse tipo imprensa, que mente, que não se coloca inteiramente a par dos fatos antes de escrever qualquer coisa, que compromete e principalmente que não da a mínima.
Me senti da mesma forma de quando li matérias mentirosas, quando eu tinha 15 anos.
Passei muito tempo calada.
Hoje não me calo mais
Sinto e estou sentindo uma tristeza profunda por ver nas linhas de um repórter incompetente ou no mínimo inconseqüente, minha historia mais uma vez sendo distorcida.
Começando pelo titulo da matéria: A princesinha do trafico.
Seguido por outras alucinações
Vamos lá...
Quem leu o livro sabe que nunca fui traficante.
Uma vez ganhei de um dono de morro sim uma quantidade para tentar vender, coisa que não tive o menor sucesso, já que dei para amigos e usei praticamente tudo, o que sobrou meu pai jogou fora.
Se o trafico do Rio de janeiro dependesse dos meus talentos ou até da minha vontade de fazer isso estaria ferrado
Meu nome não é Johnny, esse cara pirou?
Minha historia nunca foi de tráfico e sim de uso
Em nenhum momento escrevi ou falei para esse desvairado que o gringo foi dono de algum morro
Será que ele tem noção do que isso pode me causar ou comprometer?
Provavelmente não, ou não faz diferença.
A idéia do seqüestro não foi minha, isso está bastante claro no livro também.
Não acredito que mais uma vez tenho que me explicar sobre isso...
Ele escreve também que roubei jóias de família.
As jóias que troquei por droga eram minhas, algumas vinhas de família sim, mas me pertenciam.
Nunca roubei minha família.
Ok traficante e ladra a coisa tá indo bem...
Quando ele fala sobre o episodio do rapaz que foi morto no morro e teve o corpo feito de tiro ao alvo, parece que eu estava com uma arma na cintura trabalhando.
Definitivamente esse cara é desinformado, detesto trabalho seja ele de que tipo.
Estava comprando drogas, pessoas que usam drogas tem esse habito, o de comprar.
Vários abortos???
Bom nem vou falar sobre isso.
Ele escreve que fiquei quatro anos sem ver minha filha Maria Julia, mais uma mentira.
Equilibrava pratos para poder estar perto dela, mesmo quando ela estava morando com meu pai.O único período que fiquei sem ver a Maria Julia, mas falava com ela todos os dias no telefone, foi quando morei em Londres em mais uma tentativa de ficar de pé e poder estar perto dela.
Na vida às vezes temos que renunciar para não perder
Ele escreve que fiquei com uma lesão no cérebro.
Não fiquei tive, lesão para quem não sabe é como uma ferida superficial que com algum tempo sem o uso se fecha como um machucado.
Não tenho lesão
A parte boa é que hoje sinto, sinto tudo.
Meu sentimento é de tristeza, impotência e raiva bastante raiva.
Minha vontade era pegar o repórter pelo braço, depois de dar uns tapas claro e falar: Agora senta e escreve isso direito.
Se ele não tem um compromisso com a verdade eu tenho, sempre tive mesmo nos piores momentos.
Essa é a nossa imprensa, são pessoas como esse repórteres que nos enfiam matérias, informações todos os dias garganta abaixo, sem base e sem conhecimento.
Esse mesmo repórter me ligou dias depois perguntando se eu não conhecia nenhum gay que seja pai ou mãe que queira fazer uma matéria e como ele disse mostrar a cara
Ainda brincou falando: Só pego pepino
Bom acho que é isso ne, pepino essa é a forma que matérias são vistas.
Liberdade de imprensa para isso?
Aff
Acho que eu e minha família já tivemos nossa dose de sofrimento na vida, não precisamos disso.
Qualquer matéria, qualquer divulgação que não seja para AJUDAR jovens e familiares não me interessa.
Não acredito que essa matéria tenho tido esse propósito e muito menos o resultado que eu gostaria AJUDAR, levar um pouco de esperança para pais que estão perdendo seus filhos.
Alertar jovens a não entrarem nessa ou ajudar de alguma forma os que já estão
Abaixo segue o e mail que mandei para ele hoje em um surto de impulsividade, mas não retiro uma linha do que escrevi.
.....................................................................................
matéria
De: Ana Karina Cahet (anacahet@hotmail.com)
Enviada: Domingo, 8 de novembro de 2009 17:33:19
Para: waquino isto é (waquino@istoe.com.br)
Acabei de ler a sua matéria.
Bom vamos por partes
Em que momento eu falei para vc ou escrevi no meu livro que fui traficante?
No meu livro falo sim sobre uma vez em que o dono de um morro me deu uma quantidade de droga, que tentei vender, mas usei tudo e o resto meu pai jogou fora.
1 Em que momento falei para vc que usei heroína?
2 Em que momento falei ou escrevi no livro que o Gringo era dono de morro?
3 E a quantidade enorme de abortos?
4 Eu não disse que roubei jóias de família, disse que vendi minhas jóias, algumas vieram de família, mas eram minhas.
Não roubei minha família
Ate que parte do livro vc se deu ao trabalho de ler?
Pois ali fica bem claro que a idéia do seqüestro não foi minha, eu tinha acabado de fazer 15 anos lembra?
Esta bastante claro que não foi idéia minha, e mais claro ainda que realmente foi um seqüestro.
Tive conseqüências disso
Vc alterou fatos, distorceu e mudou ordens que fazem muita diferença.
5 Falei para vc que o medico disse que em cinco anos minha lesão estaria curada como uma ferida que fecha
Não tenho lesão, tive.
Por sorte minha esse mesmo medico esta hj no Brasil
Será que vc tem noção do peso das coisas que vc escreveu e de como isso pode refletir na minha vida
A princesinha do trafico?
Surtou?
Tenho família, vc tem?
Tenho filhas, que provavelmente vão escutar seus péssimos comentários.
Tenho ex-marido e amigos
Mais acho que o pior é vc ter conseguido transformar uma historia de uma pessoa com transtorno bipolar, que sofreu, teve perdas e superou, na historia de uma aspirante a marginal como vc mesmo escreveu na sua matéria infundada e de mal gosto.
Minha intenção com o livro ou cm qualquer matéria relacionada a ele, é a de alertar, ajudar pessoas que passam ou podem vir a passar pelo caminho de drogas.
Qualquer sensacionalismo não acrescenta nada e não ajuda a ninguém
Ps Para sua informçãpa palavra mais adequada para se referir a uma pessoa que usa droga não é ex-viciado e sim Dependente Químico.
.....................................................................................
E a vida continua
Ps Grande do que falei esta gravado e postado no Youtube